Ambientes Corporativos Inovadores

Escritório 5.0 – Como Liderar e Criar Ambientes Corporativos Inovadores no Desenvolvimento das Novas Gerações que Estão Chegando?

Dias desses, ministrei uma palestra com o título Liderança Criativa à uma equipe de gestores de uma empresa pública em Florianópolis. Logo no começo da palestra, resolvi fazer uma experiência interessante: dividir os participantes em grupos de acordo com a sua idade. Posso afirmar que uma simples troca de lugares entre os participantes mostrou diferenças interessantes de comportamento entre as gerações que hoje fazem parte do quadro funcional das organizações.

Um novo cenário empresarial começa a ser desenhado a partir da identificação destas diferença entre gerações. Com um olhar mais apurado e mudando o ponto de vista, os gestores do futuro, responsáveis por desenvolver novas culturas e modelos de gestão, devem ficar atentos às mudanças significativas ocorridas no mundo empresarial nos últimos 20 anos.

Na grande aldeia global vivemos uma era de transparência e de conexões, com uma nova geração de profissionais, os chamados nativos digitais, que precocemente e silenciosamente nos surpreendem diariamente com a sua mentalidade de curto prazo. Um processo doloroso para gerações de líderes Baby Boomer e X, que as duras penas, estão aprendendo a lidar com os avanços tecnológicos e mudanças sociais, que vêm causando barulho e turbulência nos ambientes empresariais. Os modelos de gestão hierarquizados e mecanicistas estão com os dias contatos, sendo substituídos gradativamente por modelos mais dinâmicos e flexíveis.

O primeiro desafio das gerações mais antigas é entender como funciona a cabeça dos nossos jovens digitais, uma galera que vem com um “chip mental” de alta performance, bem mais avançado em relação ao modelo mental das gerações anteriores, que é reconhecidamente ultrapassado e conservador. O segundo passo é elaborar fluxos e processos customizadas para conquistar a confiança deste público jovem e de perfil contestador. Um profissional que valoriza a ética, que busca o crescimento rápido na carreira e que é motivado por objetivos de curto prazo, mostrando se muito ágil na execução de tarefas. Gente nova com o propósito de contribuir e facilitar o cotidiano das pessoas.

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Um novo tipo de profissional que não pensa apenas num emprego, e sim, numa forma inteligente de viver com equilíbrio nas diversas atividades de lazer, estudos e trabalho. Profissionais que adoram trabalhar em empresas criativas e revolucionárias, com expertise comprovada e capacidade de execução, ou seja, uma empresa que encanta o cliente com os seus produtos e serviços. Em síntese, uma geração apaixonada por inovação, que com um smartphone e uma boa ideia na cabeça monta o seu escritório de trabalho e desenvolve projetos audaciosos e sustentáveis.

Por outro lado, as novas gerações estão encontrando dificuldades no modelo de gerenciamento de negócios. As vezes uma boa ideia não o suficiente para garantir o sucesso de um bom projeto. O principal desafio não é fazer inovação, mas sim construir eficiência junto com ela ou gerar valor. É saber executar com maestria uma boa ideia.

As equipes que farão parte do escritório do futuro – a qual chamamos de 5.0, pois abrange o universo de cinco tipos de modelos mentais de trabalhadores – terão o desafio de que querer aprender juntas, trocando experiência entre elas e tirando o melhor que cada uma pode oferecer. Gerações com capacidade de negociar com parceiros com uma visão muito conservadora e experiente, e do outro lado, parceiros novatos e impetuosos, que trazem na bagagem muito conhecimento pelas redes sociais, mas com pouca experiência prática, principalmente no campo empresarial.

Com certeza, o escritório do futuro, se transformará um ambiente corporativo de caráter inovador e muito mais colaborativo, criando uma nova relação em criatividade, trabalho e produtividade sem igual. Gestores de diversas idades num processo de cooperação, cocriação e engajamento, lidando com uma revolução tecnológica que influenciará na interatividade das relações humanas.

Torna-se fundamental criar uma cultura da confiança mútua, em ambientes corporativos humanizados, alegres, inovadores e mais amigáveis, com estruturas leves, descontraídas e sem muitas paredes. Um movimento importante na retenção destes novos profissionais que estão saindo das universidades ou que estão chegando perto dos 30 anos.

Em plena era do compartilhamento, líderes e gestores das gerações mais antigas deverão adaptar a cultura da sua empresa à uma nova realidade. Uma cultura organizacional desfocada deste novo modelo poderá destruir toda a estratégia da companhia em termos de sobrevivência e perenidade. Assim, fica clara necessidade de rever processos, estruturas, valores, princípios e a forma de administrar pessoas. Para o americano Alec Ross, estudioso das transformações humanas e conselheiro digital, o mundo não está mudando, o mundo já mudou.