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Como fazer um planejamento estratégico na prática

Quantas das suas resoluções de ano novo você realmente levou até o fim?

Todos os dias nós temos ideias para melhorar nossas vidas. Algumas ideias são grandes e difíceis de implementar, outras estão a um clique de distância. O fato é que a maioria delas nascem em momentos de insatisfação, com questionamentos do tipo “E se…”, “Que tal…”, “Porque não…”. O pior é que a maioria das ideias morre em cerca de minutos, ou adormecem junto com você no fim do dia. Prova disso é o questionamento que propus ali em cima.

O mesmo acontece em organizações, só que em grande escala – tanto na geração quanto na dispersão dessas ideias e descontentamentos. Portanto, é necessário planejar, e planejar nada mais é do que estruturar o caminho entre o desejo e a ação. Isto vale para qualquer coisa que não possa ser executada agora. Pessoas eficazes e bem sucedidas planejam seus dias, suas semanas, meses e ano. O método muda e as ferramentas mudam, mas o objetivo é sempre o mesmo: focar nossa energia e nossa atenção para que nossa ação nos leve na direção que desejamos, e não na direção a que as distrações nos induzem. O processo de Planejamento Estratégico é basicamente isto. Uma sequência de rituais executados por uma empresa para focar sua atenção.

Há algum tempo, aqui em nosso blog, levantamos 5 dicas para traçar uma estratégia para sua empresa e, dessa vez, iremos te explicar como elaborar um planejamento estratégico na prática.

Como iniciar um planejamento estratégico?

Por mais que não exista uma regra que defina o formato ideal de um Planejamento Estratégico, algumas etapas são necessárias e estão sempre presentes independentemente das metodologias adotadas.

O planejamento estratégico de uma organização pode ser construído utilizando-se diferentes ferramentas e metodologias, porém o mais importante é que seja escolhida uma metodologia que se adeque à realidade da organização. De nada adianta um planejamento estratégico bem definido na teoria, se periodicamente ele não for revisado e medido por seus responsáveis.

Diagnóstico Estratégico

Corresponde a uma das primeiras fases do processo de Planejamento Estratégico, e procura responder à pergunta básica: “Qual a real situação da empresa quanto a seus aspectos internos e externos?”. Existem diversas ferramentas para a realização desse diagnóstico, todas com o intuito de achar o que se tem de bom, de regular ou de ruim nos processos de uma organização.

Análise PEST (A, L, D)

A análise PEST é baseada em dados secundários, ou seja, que já estão disponíveis em bancos de dados, sejam informações cedidas por fontes governamentais ou por empresas, tanto na internet quanto em outras mídias, e que não requerem nenhuma aplicação para a coleta de dados, como entrevistas ou questionários.

O que engloba?

O termo PEST implica na análise de variáveis Políticas, Econômicas, Sociais e Tecnológicas, aprofundando e direcionando pontos relacionados a cada fator. Outras variáveis podem ser avaliadas, como fatores Ambientais, Legais e Demográficos, caso venham a impactar a organização.

Ao fim, o resultado são estratégias para maximizar as oportunidades que o mercado apresenta e minimizar as ameaças impostas. Vale lembrar que não aproveitar oportunidades pode gerar ameaças de longo prazo, como diferenciais competitivos aos concorrentes que as aproveitam.

O que (e onde) buscar?

Busque por:

  • Índices econômicos (taxa de juros, fontes de financiamento, política cambial, inflação, incentivos à atividade empresarial);
  • Fatores de comportamento do consumidor (hábitos de compra, índice de preços ao consumidor);
  • Leis que impactam a atuação do seu negócio (regulamentação dos locais de produção, de segurança, de materiais, de comercialização);
  • Mudanças nos regulamentos ambientais;
  • Novas tecnologias no seu setor de atuação;
  • Índices demográficos da sua cidade ou região de atuação (crescimento da população, estrutura etária da população, distribuição por sexo, fatores culturais), entre outros dados…

Esses dados são normalmente achados na internet, em portais e sites de referência, e alguns sites interessantes são o cetic, o cbicatlas brasil, o populacao.net.br, ipcbr, entre outros. Vale procurar outros fóruns e portais e, caso viável, dados internacionais.

Análise SWOT

Em tempos incertos, a Matriz SWOT cai como uma luva para definir uma empresa em relação ao que se verifica de mais importante no mercado (seja a nível local ou global) e a entender a posição comparada a concorrentes, conferindo mais confiança, segurança e força para lidar com os imprevistos e situações desafiadoras. Assim, é extremamente aplicável ao planejamento estratégico, facilitando a visualização das características que fazem parte da sigla em uma matriz.

O termo SWOT é derivado das palavras em inglês Strenghts, Weaknesses, Opportunities e Threats, que significam, respectivamente, forças, fraquezas, oportunidades eameaças.

A definição acima foi retirada de um outro post nosso, Análise SWOT (matriz) – Definição e Como Usar?

 

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A Identidade Organizacional

É de EXTREMA importância para qualquer grupo de pessoas com um objetivo em comum que tenham a sua identidade compartilhada, além de um alinhamento para que os resultados esperados sejam alcançados. Para isso, qualquer organização pode elaborar uma Base Estratégica Corporativa (BEC).

A BEC de uma organização nada mais é do que a sua identidade organizacional, ou seja, como ela deseja ser vista, e deve resumir o seu DNA. Para resumir esse DNA, algumas perguntas devem ser feitas: “Qual o papel da nossa organização na sociedade?”, “Qual é o nosso sonho?” e “Quais são as crenças e ideias que formam o solo da nossa organização?”. Portanto, a Base Estratégica Corporativa é composta universalmente por 3 elementos que formarão a identidade da empresa, são eles a missão, a visão e os valores, que abordam as três perguntas levantadas.

Missão

É a razão de existência de uma organização. Uma declaração de missão clara e bem formulada dá aos colaboradores um senso compartilhado de propósito, direção e orientação das ações. Tornam possíveis e realistas os objetivos da empresa. É importante entender que uma missão não é simplesmente inventada e não deve ser subestimada. Deve sim ser percebida no dia a dia da organização e refletir o seu papel no mundo.

Se o que a missão deve ser e conter estiver clara para você, posso garantir que não será uma tarefa fácil chegar a uma resposta. Isso porque não são muitas as pessoas que se questionam quanto ao seu propósito de existência, e é aqui que devemos bater nessa tecla.

Para a missão, há caminhos para se seguir e formá-la representando realmente o seu jeito de ser, mas a fórmula secreta que embasará a formação da missão da sua organização deve se parecer com isso?

Fazer o quê + para quem + de que forma

É importante tentar cobrir ao máximo os objetivos da organização perante três componentes básicos: clientes, colaboradores e sócios. A missão deve ser clara, específica e salientar o seu core, ou o que faz de você único e insubstituível.

Exemplo: Petrobrás

Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nas atividades da indústria de óleo, gás e energia, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos seus clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua.

Mas isso de forma alguma deve restringir a sua organização de basear-se na sua real razão de existência! Afinal, no fim das contas, é isso que a missão deve representar… E, por coincidência (talvez não), as empresas mais bem sucedidas se aproveitam bem dessa dica.

Exemplo: Microsoft

Permitir às pessoas e empresas, em todo o mundo, a concretização do seu potencial.

Quanto à explicação, entregam esse compromisso através da excelência no desenvolvimento de tecnologias acessíveis a todos (toda as idades e habilidades). São considerados como um dos líderes da indústria de tecnologia do desenvolvimento e criação de produtos inovadores, mais fáceis e mais simples de usar.

Exemplo: Google

Organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis.

A Google realmente impacta o mundo organizando as informações da web em um portal de fácil acesso e de alta utilidade!

Exemplo: Nike

Trazer inspiração e inovação à todos os atletas* do mundo.

O *asterisco* é pra complementar, com frase de Bill Bowerman, que “Se você tiver um corpo, você é um atleta.”.

Visão

A visão deve representar o sonho da organização a longo prazo, com o direcionamento que apontará uma situação desejada. É, então, o guia para efetivamente realizar a missão e para definir suas metas.

A declaração da visão pode ou não estabelecer fins quantitativos, mas vem para entregar motivação, uma direção geral, uma imagem e uma filosofia que guia a empresa. A visão costuma envolver uma posição no mercado, uma diferencial competitivo, uma imagem da organização na cabeça dos clientes ou até uma vantagem quanto à concorrência. Prova disso é a quantidade de empresas que têm como visão “Ser referência em…”. É importante lembrar que, como no caso da Missão, a Visão pode ser também míope (quando é pragmática e trata especificamente de atividades e resultados diretos) ou estratégica (se apoiando em uma ambientação geral dos impactos da organização na sociedade).

Valores

São as crenças e ideias que formam a base da organização. A declaração de valores deve orientar comportamentos e conduta desejados aos profissionais que representam a instituição. Os valores, diferente da Missão e da Visão, tendem a ser intrínsecos e duradouros, mantendo-se (caso a organização não sofra uma transformação drástica no seu propósito de existência) desde a sua fundação.

Mas para que estabelecer tudo isso?

Além de frases bonitas e inspiradoras, exibidas em quadros ou pintadas nas paredes, esses quesitos devem ser vivenciados no cotidiano da organização! Também não adianta comunicar para os funcionários. É preciso engajamento e direção.

Para altos patamares, a formulação desses pontos não precisaria nem ser comunicada, se realmente representasse um interesse comum. Ou seja, já estaria presente em cada pessoa.

A Missão deve representar o DNA da organização e deve responder à todo colaborador quanto à razão de ele(a) estar ali todo dia! Sabemos que não é só pelo dinheiro, e que dinheiro não é a única coisa que move uma organização e seus colaboradores. Sem um senso de missão, a organização é dispersa e cada um puxa as rédeas para o lado que quiser.

A Visão deve ser o farol (o objetivo) do oceano aonde o barco (a organização) navega. Sem visão de longo prazo, não há estímulos, não há direção e não há análise do desempenho. Ou seja, pode continuar caminhando e caminhando, mas se não for para frente, é pros lados ou até pra trás.

Os Valores devem representar os costumes da organização e a sua cultura organizacional. Serve também para alinhar as pessoas e pautar as atitudes. Os consumidores, cada vez mais, compram de empresas e apoiam organizações que servem um propósito maior que o capitalismo e o ‘mais-valia’: elas compram de empresas que são alinhadas com os seus valores.

Construção Analítica do Plano

A partir daqui, você já deve ter informações suficientes para montar seu plano. Além de ter analisado a sua empresa da forma como ela e ter definido ou revisado a identidade da sua organização, é importante que passe a traçar uma estratégia para alcançar, principalmente, a visão do negócio. Para isso, deve-se usar metodologias que estabeleçam objetivos claros, detalhando e estudando estratégias para que as metas sejam atingidas e o planejamento estratégico seja eficaz.

Balanced Scorecard (BSC)

A BSC é um sistema de gestão amplamente utilizada no mundo da Administração que possibilita a tradução da visão e das estratégias em objetivos estratégicos monitorados por indicadores, ouscores. É apresentada através de quatro perspectivas que tratam de quatro pilares de uma empresa: Financeiro, Clientes, Processos Internos e Aprendizagem e Crescimento. As perspectivas possuem uma relação de causa e efeito entre si, ou seja, os objetivos de cada perspectiva terão reflexo na outra. Isto é, as perspectivas reproduzem as dimensões do negócio, expressando como o resultado da empresa será obtido e explicitando a ligação entre as decisões que levarão ao cumprimento da estratégia.

A empresa deverá criar os objetivos estratégicos para cada perspectiva de forma coerente com o que acredita e aonde quer chegar. Para mensurar o atingimento desses objetivos, devem ser criados indicadores de acompanhamento e metas desejadas. Além disso, como forma de direcionar ainda mais o trabalho dos colaboradores, a organização deve bolar planos de ação para melhor alcançar os resultados desejados.

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Ainda possui dúvidas a respeito do assunto? Confira o material gratuito que bolamos para facilitar o desenvolvimento do seu Planejamento Estratégico, ou entenda como a Esag Jr. revisa anualmente seu planejamento estratégico e seu impacto nos resultados que a empresa busca alcançar.

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